

A drenagem linfática é um procedimento muito comum no pós-operatório. Para toda e qualquer cirurgia, o período pós-operatório é tão importante quanto a cirurgia em si, e alguns cuidados são imprescindíveis.
Cirurgias como lipoaspiração, abdominoplastia, mamoplastia e até mesmo o lifting facial têm indicação pós-cirúrgica para a realização de drenagens, pela sua capacidade de reduzir o processo inflamatório e potencializar os resultados.
O que é drenagem linfática?
A drenagem linfática é uma técnica de massagem leve, rítmica e precisa, com o objetivo de estimular o sistema linfático — os vasos que levam líquidos pelo corpo — a trabalhar de forma mais rápida e eficiente.
O excesso de retenção de líquidos nos tecidos após uma cirurgia como lipoaspiração ou abdominoplastia pode causar inchaço, também conhecido como edema pós-cirúrgico. A finalidade da drenagem é evitar a retenção de líquidos na região operada, melhorar a circulação sanguínea e evitar dores ocasionais.
É um procedimento especializado, que exige um profissional capacitado para saber exatamente os pontos a serem tocados, a forma, os movimentos e a pressão correta, respeitando a fisiologia do sistema linfático para não prejudicar a recuperação do paciente.
Benefícios, riscos, mitos e verdades
Para entender melhor a técnica, conversamos com a fisioterapeuta Dra. Ana Poniewas, atuante em reabilitação pós-cirúrgica e funcionalidade dermatológica. Segundo ela, existem hoje várias fontes de pesquisa sobre o tema — algumas bastante construtivas, outras nem tanto — o que acaba gerando distorções e equívocos.
A drenagem linfática traz benefícios que vão além da diminuição de edemas (o que já é, por si só, um benefício importante): auxilia na absorção de seromas, hematomas e possíveis formações de fibrose. A estimulação do sistema linfático como um todo também aumenta a circulação de células de defesa e estimula o retorno venoso, favorecendo a hidratação, a oxigenação e a nutrição dos tecidos, além da eliminação de toxinas e restos metabólicos — o que representa um ganho expressivo na reabilitação, acelerando a renovação celular, a reparação tecidual e a cicatrização.
A drenagem pode ser feita de diferentes formas — por eletroterapia, pressoterapia, banhos de imersão ou manualmente. No pós-operatório, a drenagem manual costuma ser a mais indicada: o toque permite ao profissional sentir como o organismo está reagindo, e os toques leves, aplicados conforme a tolerância do paciente, ajudam a estimular os receptores de dor mais periféricos, que ao serem estimulados suspendem temporariamente a condução da dor ao sistema nervoso central.
Um equívoco comum é achar que uma técnica mal executada só interferiria na absorção de líquidos pelo sistema linfático. Na prática, uma aplicação incorreta pode também atrasar a liberação de toxinas, o processo de reparação tecidual, e até lesionar vasos sanguíneos e linfáticos — o que é uma consequência bem mais grave.
Principais benefícios da drenagem linfática
- Redução de edemas, seromas, hematomas e formações de fibrose;
- Equilíbrio do sistema linfático;
- Eliminação de toxinas;
- Melhora da hidratação da pele;
- Aceleração do processo de cicatrização.
Riscos da drenagem linfática
A drenagem linfática manual, quando executada corretamente e respeitando as contraindicações e restrições médicas, não apresenta muitos riscos. Uma aplicação vigorosa, porém, pode causar dores, hematomas e edemas, devido à ruptura de pequenos vasos sanguíneos. Um ritmo muito acelerado também não acompanha o ritmo natural da linfa, fazendo com que o principal efeito do tratamento não seja atingido, e a falta de precisão pode impedir o relaxamento e o conforto esperados pelo paciente.
Outras modalidades — como eletroterapia, pressoterapia e banhos de imersão — exigem cuidados específicos, como a regulagem correta dos equipamentos e a certificação de que estão aptos para uso seguro.
O que é preciso saber para realizar a drenagem linfática
A drenagem linfática não é apenas uma massagem realizada por um esteticista, tampouco um procedimento para causar sofrimento. Após a recomendação clínica do cirurgião, que atesta as condições físicas do paciente, deve-se procurar um fisioterapeuta especializado em drenagem pós-operatória. Mais do que uma técnica coadjuvante no pós-operatório, a drenagem linfática é um elemento imprescindível.
Procure sempre por uma cirurgia segura: verifique se o seu profissional escolhido é um cirurgião capacitado e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).
Perguntas Frequentes
A drenagem para ser boa e eficaz tem que doer?
Não, drenagem linfática não dói. O que acontece é que muitas pessoas confundem a técnica com massagem lipomodeladora e afins, que são abordagens diferentes.
Drenagem linfática é indicada para tratar celulite, emagrecer e modelar o corpo?
A drenagem estimula o corpo como um todo, trazendo ganhos para o metabolismo e a circulação sanguínea, o que pode ajudar em alguns processos de emagrecimento — mas esse não é o foco principal da técnica, e sim um efeito complementar. Quanto à celulite, a drenagem realmente ajuda, já que uma das principais causas da celulite é o transtorno circulatório.
Quando posso começar a lipomodeladora no pós-cirúrgico?
Após um procedimento cirúrgico, o organismo passa por um trauma — o corpo não distingue se a intervenção foi de cunho estético ou não, apenas que sofreu uma lesão e precisa se recuperar. Por isso, técnicas mais vigorosas, fora do perfil da drenagem linfática, costumam ficar suspensas por cerca de 6 meses, sempre condicionadas à liberação do médico.
Estou inchando muito, então é melhor não ingerir muitos líquidos?
Pelo contrário. O líquido retido no pós-operatório é o líquido intersticial, ou seja, está entre os tecidos — no local errado. O que falta é líquido circulando nos vasos, para auxiliar na recuperação. Ingerir bastante água ajuda o corpo a se recuperar e a desinchar mais rápido.
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